Diferente dos meus colegas que vivem dizendo que perdem o sono porque têm que estudar, virar a noite e etc., ultimamente tenho perdido o sono pelo mesmo motivo - a medicina - mas de um jeito diferente.
Estou no sexto semestre. Era para estar no sétimo mas graças à greve este ano teremos 3 semestres, sem férias. Deus no comando. Mas acontece que comecei a me preocupar com algo que até então não tinha me atentado - as provas de residência. Elas são basicamente um segundo vestibular, só que mais difíceis porque 1 - todos os seus concorrentes passaram em medicina e 2 - os cursos preparatórios custam cerca de mil reais por mês.
Com muito esforço, muito mesmo, meu pai talvez pagasse os mil reais do curso mais conhecido, do Medgrupo (Medcurso no 5º ano e MED, mais resumido e direcionado, no 6º). Mas há outras opções - Med Aula, Medcel, SJT - todos com o mesmo objetivo mas que, de acordo com as minhas pesquisas, perdem em alguns aspectos, ainda que sejam mais baratas. O Medcel, por exemplo, tem aulas boas, mas o material é mais resumido; o SJT é bom mas há reclamações quanto á organização e o Med Aula parece estar no início, mas ouvi dizer que o material também é resumido.
Parece óbvio investir no Medgrupo, certo? Bem, não é assim. Eu teria que abrir mão de muita coisa para pagar a quantia e ainda há outros cursos - como os para as provas práticas, por exemplo, que custam de 3.500 a 10.000 reais e ocorrem em SP - imagina! Fora este valor arcar com gastos de passagem e tudo o mais. E essas provas práticas fazem muita diferença. Além de que as inscrições mais baratas custam cerca de 300 reais - algumas chegando a 700. E ainda há quem diga que não vale o investimento (material muito denso, professores com muitos macetes)... é complicado.
Eu já decidi a área que quero seguir e até agora não me vejo fazendo outra coisa - Ginecologia e Obstetrícia. E já andei pesquisando sobre os principais programas de residência da área - Albert Einstein, PUC, FM-USP, UNIFESP, SUS-SP, UERJ, UFRJ... E até a FSCMPA, a Santa Casa daqui, que é referência nessa área; estagio lá e dependendo das minhas necessidades daqui a dois anos posso ficar aqui feliz. O problema é que essas primeiras provas em sua maioria incluem a prova prática e análise curricular (tô trabalhando com carinho nessa parte, porque, diferente das outras, a maioria da preparação é de graça hahaha).
Enfim, tive que escrever aqui porque tô enchendo a cabeça do meu namorado com isso há semanas e ele me ajuda muito (conseguiu videoaulas, se oferece para me passar simulados, me acalma, consola, etc hahaha nota dez pra ele), mas não quero ser tão repetitiva. Até agora meu plano é: me dedicar a enriquecer o currículo (consegui bolsa integral pra estudar espanhol, senti que era a hora de investir num terceiro idioma; além disso tô atrás de projetos de pesquisa) e estudar muito bem para a faculdade, além de revisar assuntos gerais (antibioticoterapia, ECG, radiologia) no tempo livre. Ano que vem, quando estarei no internato, passo a pesquisar mais questões de residência e provas das principais instituições que pretendo entrar (penso em fazer cerca de seis provas) e talvez até use o material do medcurso de algum amigo para ler quando puder. Já no meu sexto e último ano, talvez eu consiga fazer o investimento para o MED, o intensivão do Medgrupo, para direcionar definitivamente meus estudos. Se tudo der certo, em fevereiro de 2019, já estarei tranquila com a minha vaga na residência garantida.
Ainda tem um porém: o TCC! Se tudo der certo consigo proximidade com uma professora que está disposta a me incluir em projetos de extensão e iniciação científica, além de orientar meu TCC na área de Ginecologia e Obstetrícia. Seria um plus pro meu currículo e eu ficaria muito feliz, já que é o que eu amo. Conseguindo adiantar desde agora, eu seria a estudante de medicina mais tranquila do universo (isso não significa muita coisa, né...). Mas enfim, vou voltar pro meu resuminho de GO que tenho prova em alguns dias. Espero que as coisas deem certo pra mim.
