Amando tranquilamente num mundo de desesperados

Eu amo coisas de papelaria. Minhas aulas começam em duas semanas, bem mais tarde do que as da maior parte das pessoas, e por isso deixei pra ver vídeos de blogueiras falando sobre seus materiais escolares somente hoje. Nesse passeio por blogs, parei num bem famoso, cuja autora já publicou vários livros e eu gosto bastante (dela, nunca li os livros hihi). Como hoje é sexta e geralmente não é dia de ver meu namorado </3, fico bem sentimental de saudades e resolvi clicar na tag "amor".

Gente, quando foi que todos os textos sobre amor se tornaram textos de desamor? Sobre términos, sofrimento e saudades? Achei um texto positivo e olhe lá. Talvez seja porque pessoas apaixonadas geralmente não procurem ler sobre amor, talvez eu seja a exceção. Enfim, o primeiro texto que achei e me identifiquei foi lá pra quarta ou quinta página da tag, e falava sobre a sorte de um amor tranquilo (alô, Cazuza).

E aí percebi... a maior parte dos textos era sobre um amor que era ou tinha sido tudo, menos tranquilo. Sobre brigas, ciúmes, términos e reconciliações... ok que o blog é voltado pra adolescentes, eu tenho 19 anos mas deixei de viver minha adolescência propriamente dita quando completei dezessete anos. Talvez seja isso, não sei. Mas eu realmente acho que tenho a sorte de um amor tranquilo e isso aquece meu coração mole.

"This too shall pass", não é mesmo? Até meu amor tranquilo, meu namoro feliz. Mas enquanto isso não acontece, é tão bom... tão reconfortante não viver brigando e com as emoções à flor da pele, mesmo que isso signifique viver as coisas boas com um pouco menos de empolgação que o normal numa paixonite. 

Eu sou extremamente intensa, a deusa sabe como amo as coisas e pessoas, mas em quase um ano de relacionamento e  quase nove meses de namoro sério, eu aprendi a esperar, a falar baixo, a não chorar tanto hahaha Eu sempre pensava "não podemos dormir brigados", mas, sabe, podemos sim. Ninguém resolve nada de cabeça quente, a gente só se magoa e magoa os outros. Se a gente se acalmar, dormir e depois conversar, vai ver que a raiva já passou e só o amor ficou. Isso também faz parte de um amor tranquilo.

MEU DEUS! Sexta à noite, liguei pra ele duas vezes e ele não atendeu. Disse que o amo no chat do facebook e ele não respondeu! Acho que vai terminar comigo!!!!!! - Essa era a Débora com dois, três meses de namoro. Hoje eu deixo pra lá porque assim que ele ver o celular de novo ele vai me ligar. E dizer que me ama quantas vezes eu quiser escutar. Vinte minutos depois, o telefone toca, ele estava estudando na mesa da sala e esqueceu o celular no quarto. Ele me ama, ele está com saudades e ele queria que eu estivesse com ele. É tudo recíproco, nada mudou, do jeito que eu esperava.

Não é fácil, não mesmo. É gradual. Talvez eu esqueça tudo isso se um dia nosso namoro acabar e tenha que reaprender a ficar calma nos próximos relacionamentos. Mas, hoje, posso dizer que nenhum amor nasce tranquilo, só as pessoas podem construir um relacionamento sem desespero, sem altos e baixos. E, sabe, gente, enquanto não é tranquilo, não é amor. Enquanto há desconfiança, ciúme excessivo, enquanto a gente pensa que ama mais a outra pessoa do que a nós mesmos, é simplesmente apego, carência. E isso não é saudável.

Eu desejo a todas as pessoas amores tranquilos, calma, maturidade e sabedoria para lidar com relacionamentos porque pessoas não são fáceis. Desejo independência porque num relacionamento feliz ninguém se precisa, as pessoas simplesmente se querem. E não vão acordar não se querendo mais, mesmo que a fadinha da insegurança fique sussurrando isso no nosso ouvido a cada coisinha que não acontece do jeito que a gente quer. Desejo a todos amor tranquilo e verdadeiro, aqueles que fazem a gente olhar pra trás e saber que, mesmo que tenha acabado, deu muito certo. Ou daqueles que nunca acabem. <3

Sobre amor e descobertas

Trezentos e quatro dias se passaram desde o meu primeiro encontro com meu namorado. Na época, ele não era nada disso - inclusive tem um texto aqui sobre ele quando não tinha nem um mês que estávamos juntos. E nessa madrugada escura, dia 20/01/2015, por algum motivo desconhecido, senti mais amor do que o normal e precisava transbordá-lo em forma de palavras. Lembrei desse blog.
Às vezes o amor surge de onde menos se espera, onde menos se aposta.
Já tive paixonites. Aquelas de o coração bater mais forte todas as vezes que via a pessoa em questão, de eu me revoltar com tudo e todos que tentavam dizer que ei, talvez ele não seja a pessoa certa pra você. E eu achei que todo amor começava na paixonite. Depois que a paixão acabasse, ou era amor ou era o fim.
Mas esse amor nasceu devagar. Bem, se não nasceu, pelo menos foi percebido aos poucos por mim. Nada escancarado a ponto de eu só falar e pensar nele, de eu o achar a pessoa mais incrível do mundo sem ao menos conhecê-lo direito. Pelo contrário, ele tem muitos defeitos, a maioria dos quais nem requer muita convivência para serem reconhecidos. Mas, por algum motivo, eu insisti. Eu insisti quando minhas amigas implicaram com ele, insisti quando ele pensou em cancelar um encontro quando eu já estava pronta, insisti quando ele quis jogar tudo pro alto na primeira briga séria, insisti quando ele se comportava como a criança que deixara de ser há mais de dez anos, insisti quando tive que engolir meus próprios erros e enterrar minha culpa em nome do que eu sabia que não podia parar naquele momento. Insisti quando tinha todos os motivos para desistir e a cada insistência eu percebia o quanto eu gostava dele, cada vez mais. A perspectiva de seguir sem ele doía mais profundamente a cada vez que eu era obrigada a escolher entre a desistência e a insistência, e, por fraqueza ou força, eu sempre escolhia a segunda opção.
Parece que nosso namoro começou onde muitos acabam - nas brigas, incertezas e inseguranças. Mas a partir dos primeiros meses, eu aprendi a amadurecer e ele decidiu amadurecer. Eu, que sempre achei que estava me esforçando ao máximo para o relacionamento dar certo, percebi meus erros e passei a tentar consertá-los. Ele, sabe Deus o motivo, decidiu que não queria e não podia me perder e passou a ser a pessoa que eu sempre sonhei ter ao meu lado.
Eu tinha um namorado, mas eu ganhei também um melhor amigo. Eu ganhei alguém que eu sei que quer meu bem e com todos os possíveis defeitos, tem um dos maiores corações nos quais eu já tive a oportunidade de entrar. Alguém com quem eu faço planos e por quem eu digito palavras e mais palavras como essas sem nem parar para pensar muito entre cada uma delas. Porque simplesmente flui, como todo o nosso relacionamento fluiu e tem fluído em quase dez meses de aturação (e adoração) mútua.
Eu sei que tenho alguém com quem assistir filmes, um ombro no qual chorar e uma boca pra beijar sempre que eu queira. Eu descobri o meu perfume favorito sem nunca ter borrifado a fragrância no meu próprio pulso, apesar de esta já ter ficado impregnada na minha pele em diversas situações. Eu descobri o que é amor e descobri que estava errada. Nem sempre o amor avisa antes de aparecer, nem sempre é fruto de uma paixonite exagerada. Às vezes o amor surge de onde menos se espera, onde menos se aposta. O amor surge do fracasso
Eu estou me sentindo melhor, finalmente. Eu só precisava falar em algum lugar que estou completamente apaixonada pelo meu namorado e que finalmente entendo o que todo mundo tanto fala. Entendo o amor romântico. Eu espero que seja para sempre e se não for, eu sei que não terá sido menos verdadeiro por isso. A possibilidade de ficar sem ele traz lágrimas aos meus olhos em segundos, mas lembrar do que nos une, do amor e dos momentos que passamos e queremos passar juntos, leva um sorriso ao meu rosto em uma velocidade ainda menor. E é assim que eu sei que vale a pena.