Sobre amor e descobertas

Trezentos e quatro dias se passaram desde o meu primeiro encontro com meu namorado. Na época, ele não era nada disso - inclusive tem um texto aqui sobre ele quando não tinha nem um mês que estávamos juntos. E nessa madrugada escura, dia 20/01/2015, por algum motivo desconhecido, senti mais amor do que o normal e precisava transbordá-lo em forma de palavras. Lembrei desse blog.
Às vezes o amor surge de onde menos se espera, onde menos se aposta.
Já tive paixonites. Aquelas de o coração bater mais forte todas as vezes que via a pessoa em questão, de eu me revoltar com tudo e todos que tentavam dizer que ei, talvez ele não seja a pessoa certa pra você. E eu achei que todo amor começava na paixonite. Depois que a paixão acabasse, ou era amor ou era o fim.
Mas esse amor nasceu devagar. Bem, se não nasceu, pelo menos foi percebido aos poucos por mim. Nada escancarado a ponto de eu só falar e pensar nele, de eu o achar a pessoa mais incrível do mundo sem ao menos conhecê-lo direito. Pelo contrário, ele tem muitos defeitos, a maioria dos quais nem requer muita convivência para serem reconhecidos. Mas, por algum motivo, eu insisti. Eu insisti quando minhas amigas implicaram com ele, insisti quando ele pensou em cancelar um encontro quando eu já estava pronta, insisti quando ele quis jogar tudo pro alto na primeira briga séria, insisti quando ele se comportava como a criança que deixara de ser há mais de dez anos, insisti quando tive que engolir meus próprios erros e enterrar minha culpa em nome do que eu sabia que não podia parar naquele momento. Insisti quando tinha todos os motivos para desistir e a cada insistência eu percebia o quanto eu gostava dele, cada vez mais. A perspectiva de seguir sem ele doía mais profundamente a cada vez que eu era obrigada a escolher entre a desistência e a insistência, e, por fraqueza ou força, eu sempre escolhia a segunda opção.
Parece que nosso namoro começou onde muitos acabam - nas brigas, incertezas e inseguranças. Mas a partir dos primeiros meses, eu aprendi a amadurecer e ele decidiu amadurecer. Eu, que sempre achei que estava me esforçando ao máximo para o relacionamento dar certo, percebi meus erros e passei a tentar consertá-los. Ele, sabe Deus o motivo, decidiu que não queria e não podia me perder e passou a ser a pessoa que eu sempre sonhei ter ao meu lado.
Eu tinha um namorado, mas eu ganhei também um melhor amigo. Eu ganhei alguém que eu sei que quer meu bem e com todos os possíveis defeitos, tem um dos maiores corações nos quais eu já tive a oportunidade de entrar. Alguém com quem eu faço planos e por quem eu digito palavras e mais palavras como essas sem nem parar para pensar muito entre cada uma delas. Porque simplesmente flui, como todo o nosso relacionamento fluiu e tem fluído em quase dez meses de aturação (e adoração) mútua.
Eu sei que tenho alguém com quem assistir filmes, um ombro no qual chorar e uma boca pra beijar sempre que eu queira. Eu descobri o meu perfume favorito sem nunca ter borrifado a fragrância no meu próprio pulso, apesar de esta já ter ficado impregnada na minha pele em diversas situações. Eu descobri o que é amor e descobri que estava errada. Nem sempre o amor avisa antes de aparecer, nem sempre é fruto de uma paixonite exagerada. Às vezes o amor surge de onde menos se espera, onde menos se aposta. O amor surge do fracasso
Eu estou me sentindo melhor, finalmente. Eu só precisava falar em algum lugar que estou completamente apaixonada pelo meu namorado e que finalmente entendo o que todo mundo tanto fala. Entendo o amor romântico. Eu espero que seja para sempre e se não for, eu sei que não terá sido menos verdadeiro por isso. A possibilidade de ficar sem ele traz lágrimas aos meus olhos em segundos, mas lembrar do que nos une, do amor e dos momentos que passamos e queremos passar juntos, leva um sorriso ao meu rosto em uma velocidade ainda menor. E é assim que eu sei que vale a pena.

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